quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Capítulo I

- Pois então Antônio. Bem vindo ao Observatório Humano, ou também conhecido como EAOH! 

O senhor de olhos claros deu um pequeno salto, elevando sua voz ao citar a sigla do local. O garoto ainda piscava fortemente para tentar entender o que estava acontecendo. Sua visão, agora menos embaçada, analisava todo o cenário. Ele olhou para a mesa que o separava do homem e percebeu que ela estava vazia, a não ser por uma ampulheta que estava bem no centro dela. Olhando para os lados, percebeu que as paredes, que antes achava serem brancas, na verdade eram de um cinza claro. Do lado direito, uma janela grande estava aberta, mas estranhamente tudo estava escuro do lado de fora. Do lado esquerdo, um quadro retratando uma família na fazenda era o único detalhe. Enquanto observava o senhor voltou a falar, chamando-lhe atenção.

- Desculpe por entrar daquela forma na sua casa e o atrair para meu escritório. - Ele respirou fundo e passou a mão na cabeça. - É que ultimamente temos tido muito trabalho e poucos trabalhadores. Está cada vez mais raro receber pessoas como você.

Antônio olhou desconfiado para o mão. Sua sobrancelha se ergueu diante do comentário sobre ele. O que ele teria de diferente? E o que, de fato, seria aquele lugar? E principalmente, como ele fora parar ali?!

- Bom... Antes de fazer perguntas, que você ainda deve estar processando, deixa-me tentar fazer um resumo. Mantenha a mente aberta, por favor.

O senhor respirou fundo e então continuou.

- Me chamo Eduardo Ptolomeu III, sim, nome pomposo mas não podemos escolher nossos nomes, não é mesmo, Antônio Xavier Wayne.

Eduardo piscou rapidamente para Antônio que abaixou a cabeça envergonhado. Apesar de estar para completar 20 anos, o garoto ainda se sentia incomodado com o nome quando dito em voz alta. Seus pais, sem o menor senso crítico, simplesmente escolheram colocar o nome de seus ídolos da época de adolescente. Antônio teve uma infância difícil devido a esse nome, mas aprendeu a superar os traumas.

- Eu trabalho para uma organização que observa a humanidade e tenta manter todos a salvo. Tentamos manter o trem no trilho, por assim dizer. Quando alguém está prestes a tomar um rumo que poderia desequilibrar o mundo atual, nós intervimos. Entende?

Antônio achava aquilo cada vez mais absurdo. A situação era tão absurda que ele sequer conseguia expor seus pensamentos em palavras. 

- Então, isso está quase virando um monólogo. Agora você já pode falar. 

O garoto balançou a cabeça e tentou colocar as coisas em foco. 

- Por que estou aqui?

A fala era quase um sussurro. Ainda estava inseguro com tudo que estava acontecendo e, por diversas vezes, Antônio achou que era apenas um sonho.

- Hmm. Pergunta de simples resposta, mas difícil compreensão. Resumindo, eu tive de aparecer naquela hora, ou você destruiria o mundo.

Os olhos do garoto se arregalaram. Eduardo o observava com aqueles olhos azuis cansados da idade e havia ternura e algo a mais. Era como se ele soubesse muito, muito mais do que estava revelando...

domingo, 22 de janeiro de 2017

Prólogo - Um novo amanhecer

O jovem de olhos castanhos olhava para as nuvens que passavam em alta velocidade. Seus olhos estavam vermelhos e sua pele branca, avermelhada. Ele estava perdido em pensamentos quando o ônibus em que se encontrava virou a esquina, impedindo-o de olhar para as nuvens devido aos arranha-céus existentes. Ele saiu do transe e levantou-se. Após dar sinal o ônibus parou no antigo ponto de ônibus de frente para a Banca do Zé. 

- Boa noite garoto!

Seu Zé, como toda a tarde, cumprimentou o garoto lançando-lhe um largo sorriso onde dois dentes frontais faltavam. O jovem sorriu timidamente e o cumprimentou com um aceno de cabeça. 

- Ih, esse aí está com problemas do coração. Da pra ver de longe.

Os três homens que estavam na banca de jornais riram com o comentário do velho. O garoto, também conhecido como Antônio, nem escutou o comentário do senhor. Sua cabeça estava preocupada com outros assuntos. Dentre eles, os do coração...

Antônio chegou em casa indo direto para o quarto. Jogando sua bolsa na cama, ele rapidamente tirou toda a roupa e entrou no banheiro. Sua cabeça fervilhava de pensamentos e ele precisava se esfriar. Mudando a temperatura do chuveiro para o frio, ele deixou o líquido cair. Seu corpo reagiu ao frio imediatamente. Num impulso ele saiu debaixo da água, porém, forçou-se a tomar esse banho gelado, uma maneira fútil de tentar acalmar seus pensamentos, focando seu cérebro na dor da água gelada.

Alguns minutos depois, Antônio já estava deitado olhando para o teto de seu quarto. Toda sua casa fazia silêncio. Todo esse silêncio externo era irritante, pois fazia com que seus pensamentos fossem tão altos quanto caixas de som em um show de rock. Ele pegou seu celular, olhando uma vez mais para a foto de sua namorada, ou melhor, sua ex. Ele pensou em arremessar o aparelho na parede mas foi prudente o suficiente para saber que perder o celular não o ajudaria em nada. Apertando alguns botões, começou a deletar os arquivos. Entrou na galeria de fotos e começou a apagar todas elas, quando um barulho estridente o fez pular da cama. Algo havia caído na cozinha. 

O garoto levantou-se e foi em direção a cozinha. Naquele horário ele deveria estar sozinho, pois sua mãe só voltaria ao entardecer. Caminhando confiante ele entrou no cômodo branco e organizado de sua casa. A geladeira estava com a porta aberta e no chão, próximo a ela, uma das garrafas de refrigerante estava caída. Antônio olhou para os lados com cautela, achando que alguém apareceria do nada. Após ver que estava sozinho, caminhou até o refrigerante e o guardou na geladeira. 

- Desculpe por isso.

Antônio virou-se de supetão! Seu coração palpitou devido a surpresa. Sentado numa das cadeiras da mesa, estava um senhor de olhos claros e cabelo curto. Seu rosto trazia as marcas da idade e seu sorriso era gentil. O que mais chamava a atenção no homem eram seus olhos. O tom azul deles era profundo e eles eram expressivos. Traziam consigo uma idade muito superior a forma física de seu corpo. Ele vestia um terno escuro e sapatos recém lustrados. 

- Quem é o senhor?! 

O garoto manteve-se imóvel. Ele olhava desconfiado para o homem. 

- Tenho alguns nomes, mas não é por isso que vim hoje aqui. Chegou a hora de você vir comigo. O que aconteceu hoje estava escrito. Ou melhor, era uma das infinitas possibilidades. Mas já que foi o que aconteceu, agora é hora de você seguir esse novo rumo.

Antônio deu um passo em direção a saída da cozinha. Nesse instante, o senhor começou a emitir um pequeno brilho azul. O garoto podia jurar que essa luz vinha diretamente de seus olhos. A luz se tornou intensa e todo o cômodo foi sugado. Antônio fechou os olhos, colocando a mão na frente deles para amenizar a claridade. Alguns segundos se passaram e, ao abrir novamente os olhos, ele não estava mais em sua casa, mas sim no que parecia um escritório de luxo. Pendurado na parede atrás da mesa estava escrito em letras bem trabalhadas, no que parecia ser ouro:

Escritório Avançado de Observação Humana - EAOH